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Mesmo após um século, os cadernos de Marie Curie permanecem radioativos

Os registros de pesquisa de Marie Curie, preservados na Biblioteca Nacional da França, encontram-se acondicionados em caixas de chumbo com múltiplas camadas, de modo a garantir total segurança.

Reconhecida como uma das figuras centrais da ciência moderna e pioneira nos estudos sobre radioatividade, Curie — primeira pessoa a conquistar dois prêmios Nobel, o de Física em 1903 e o de Química em 1911 — manipulou elementos como rádio e polônio em níveis de exposição que hoje se sabe serem extremamente elevados.

O ambiente de trabalho onde a cientista atuou tornou-se tão contaminado que passou a ser chamado de “Chernobyl do Sena”. O edifício foi interditado, submetido a monitoramento rigoroso e alvo de um complexo processo de descontaminação, que restringe qualquer acesso ao local.

A França já investiu aproximadamente 10 milhões de euros na limpeza desse laboratório, um procedimento que ainda pode levar muitos anos até ser concluído.

O corpo de Marie Curie também foi sepultado em um sarcófago de chumbo, com o objetivo de impedir a liberação de partículas radioativas.

Como o rádio possui um tempo de decaimento extremamente longo, estima-se que os cadernos da pesquisadora devam permanecer isolados e manuseados com proteção total por cerca de 1.500 anos.

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